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Zona Rosa: bairro gay da Cidade do México tem agitação dia e noite

A Cidade do México provavelmente não está na lista dos destinos favoritos dos LGBTs. Mas, surpreendentemente, possui um roteiro rico e animado.

Em se tratando de viagens dificilmente a Cidade do México estará em sua lista de próximos destinos. Isso ocorre porque pouco conhecemos sobre os atrativos que a mega-cidade oferece para os LGBTs e aqueles que buscam agito e festas. Geralmente o movimento que se vê em torno de diversão no México está ligado a agenda de eventos gays que acontecem anualmente em Puerto Vallarta, cidade distante 650 km por ar ou 840 km por terra.

Como acontece em todas as grandes cidades, a população gay tomou conta da região central da Cidade do México e no bairro da Zona Rosa se formou uma vida gay bastante intensa e cheia de opções. A formatação atual do bairro tem aproximadamente dez anos, mas os gays já dominavam a região há muito mais tempo.

Importante dizer que a região gay é muito segura, não há qualquer sinal ou indicio de violência e há forte policiamento em todas as ruas de grande concentração de homossexuais para garantir a segurança de todos. Mas a preocupação com segurança vai além desta região e a cidade com um todo não apresenta qualquer risco, mas cautela nunca é demais.

LEGISLAÇÃO LIBERTÁRIA
Em agosto de 2010 a Suprema Corte do México aprovou a legislação que permite que casais homossexuais possam se casar e a união tem validade em todo o país. Em novembro do mesmo ano a Câmara dos Deputados do México aprovou também uma lei que garante assistência da previdência social para os casais gays.

Por toda essa cobertura governamental que os gays e lésbicas que vivem lá possuem, eles têm orgulho de serem homossexuais e não escondem isso. Dentro e fora dos lugares de concentração gay eles exercem o direito de demonstrarem o afeto em público.

Já faz parte do cotidiano deles que dois homens ou duas mulheres andem de mãos dadas, se abracem e se beijem em locais como shoppings e grandes avenidas, sem qualquer constrangimento ou olhares julgadores. Nem a forte crença católica que eles têm em Nossa Senhora de Guadalupe travou a evolução do pensamento da sociedade.

Em um sábado à tarde, basta caminhar pelo Reforma 222, um Shopping Center localizado na avenida homônima, para ver casais homossexuais super jovens se misturando ao cotidiano de casais héteros. Eles se beijam na praça de alimentação e mesmo tendo senhoras ao redor não há qualquer comentário ou olhar de reprovação.

A avenida Reforma é uma grande via de tráfego intenso e bastante arborizada, dia e noite é possível ver casais caminhando e trocando carícias pelos bancos da praça de forma bastante respeitosa, mas de noite a situação muda um pouco. Dar uma volta por essa avenida permite encontrar um movimento intenso de pessoas em busca de aventuras.

ZONA ROSA
A Zona Rosa é um bairro boêmio e por isso acorda tarde. Ao caminhar pelas ruas você verá que antes do meio-dia, uma da tarde, quase nada acontece, parece um feriado. Mas, depois do almoço a coisa começa a ferver.

Na rua Génova é onde ficam a maioria dos restaurantes. Já a rua Amberes concentra o maior número de bares, lojas e sexshops voltados para o público gay da região. Só neste bairro são cerca de 20 lojas destinadas a diversão de adultos.

O sexshop mais famoso e mais popular é o Erotika Love Store. Ele possui loja em quase todas as ruas do bairro. Tem ruas que possuem até mais de uma loja. A variedade de produtos é surpreendente, com apetrechos de todos os formatos e tamanho, géis com os mais variados aromas e sabores, roupas fetichistas, bonecos infláveis e toda a brinquedoteca adulta possível. Vale a pena a visita!

Como os mexicanos são extremamente bem resolvidos com a sexualidade, as lojas estão sempre cheias e as pessoas procuram seus produtos preferidos sem qualquer constrangimento. As vitrines são bem convidativas e objetivas. Nada de roupinhas de Papai Noel e marinheiro, logo na vitrine já estão expostos os acessórios.

Ainda na Calle Amberes, diversos bares compõe o leque de opções da região. A noite por lá começa cedo, por volta das cinco da tarde já é possível ver a movimentação em torno de bares como o Papi Bar, Macho Dance Bar e o Touch. As fachadas são cheias de homens desnudos e deliciosos, não deixando dúvidas de que está na região gay.

Os bares são pequenos, quarenta pessoas já tornam o lugar lotado e não têm absolutamente nada de sofisticados, mas são extremamente divertidos. Você pode entrar e sair deles quando quiser, não se paga entrada, apenas o que você consumir. Uma cerveja sai por R$ 3,50 e a tequila custa R$ 7 em média. Não espere muito das bebidas, o gelado para eles está muito longe de ser o gelado que conhecemos no Brasil.

As músicas que tocam são bem próximas do que ouvimos nos clubes, no Macho Bar tem o DJ Juanito, um mocinho bem jovem que toca hits de divas misturados com um house mais pesado, acompanhados de clipes nas TVs espalhadas pelo ambiente. O Papi Bar segue uma linha bem parecida com o Macho.

Já no Touch o clima é mais tranquilo, cantores locais se apresentam para embalar a noite daqueles que procuram algo menos fervido, mas não menos divertido. E seus frequentadores realmente vão lá atrás da música ao vivo. Cantam e não tiram os olhos do palquinho do ambiente, que é mais bonitinho que os demais bares.

Existem também muitas lojas com artigos cheios de arco-íris. Uma delas é a Rainbowland, onde é possível encontrar camisetas, canecas, porta-copos, bandeiras, sungas e revistas gays. A revista espanhola Zero está por lá, são exemplares usados vendidos por 50 pesos (R$ 7,15).

Os códigos de moda também são bastante peculiares. A combinação mais comum que se vê por lá agora é calca jeans, camisa xadrez por dentro da calça, sapato e o celular pendurado na cintura. E esses modelos estão espalhados por todos os lados, inclusive nos clubes.

ANTROS
Em português o termo “antro” é pejorativo, mas para os mexicanos as boates também são conhecidas como antros. Uma das principais boates da cidade é a Living, que já foi palco para DJs brasileiros como Ricardo Motta e Ana Paula tocarem. O clube é grande e dividido em três partes. A pista principal é numa área externa que funciona como fumódromo e lounge, e tem outra pista, que tem o som bem pop e recebe shows com transformistas locais.

A casa faz festas temáticas ao custo de 280 pesos de entrada (R$ 40). Um exemplo foi a festa Super Heróis. O público compra a ideia da noite e usa a criatividade para reverenciar os seus super-heróis preferidos. Tem gente que pinta o corpo, alguns homenageiam com camisetas e os mais ousados se vestem como tais. Por lá a noite não tem fim, quando o relógio marca seis da manhã automaticamente a festa vira um grande after que vai até pela hora do almoço. E eles têm energia pra isso!

HISTÓRIA
Os mexicanos são um exemplo de civilidade e resultado disso é que estão muito avançados na legislação pró-gay. Em 1971 houve a criação da primeira associação voltada para gays da América Latina, a Frente de Liberación Homosexual.

A primeira Parada Gay realizada na cidade aconteceu em 1979. A segunda cidade a ter um evento do gênero foi Guadalajara, em 1996. A capital mexicana também foi a primeira cidade a sediar um encontro da ILGA (International Gay and Lesbian Association) fora da Europa, isso em 1991.

Além do legado positivo que estes acontecimentos históricos trouxeram para a cidade e para o país, a vida noturna gay ainda guarda relíquias cinquentenárias que podem ser visitadas até hoje, mas talvez nenhum brasileiro que vá a passeio na cidade tenha conhecido tais lugares. Eles são decadentes, existem há mais de 50 anos e foram onde tudo começou.

Próximo ao Zocalo, região central da cidade, há o El Oasis, onde você ouvirá salsa e tomará cerveja bem gelada. O bar recebe um público mais velho, que dança agarradinho entre um drink e outro. Tem também apresentação de drags e transformistas. Parece uma grande garagem improvisada, cheia de mesas, mas é o berço da cultura gay local. Mesmo sendo antigos, eles não deixaram de lado as tecnologias atuais e oferecem serviço de WiFi. Bem moderno!

Já o Bar El 33 é ainda mais trash. É tão pequeno que não cabe mais do que cinco mesas no andar inferior, que conta uma Junkie Box onde as pessoas vão alternando entre músicas mexicanas e hits da Lady Gaga. São duas experiências antropológicas.

Texto de Erik Galdino. – Fonte: Site A Capa

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One Comment

  1. Quais os melhores bares e boates?

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